quarta-feira, 4 de março de 2009


***Fonte.: Jornal Brasil de Fato (técnica do crtl c ctrl v) 

A atual ofensiva contra o MST 

http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/a-atual-ofensiva-contra-o-mst

por Michelle Amaral da Silva última modificação 03/03/2009

Diante da repercussão na imprensa de matérias que expressam uma ofensiva das forças de direita sobre o MST, o membro da direção nacional João Paulo Rodrigues explica a posição do movimento sobre os principais temas expostos

em 03/02/2009

Página do MST .: http://www.mst.org.br/mst/home.php



Nos últimos dias, a imprensa vem veiculando uma série de matérias sobre o MST, que expressam uma ofensiva das forças de direita. Por isso, entrevistamos o membro da direção nacional João Paulo Rodrigues, para explicar a posição do Movimento sobre os principais temas expostos.


O que aconteceu com as escolas itinerantes no Rio Grande do Sul?

Durante o governo Antonio Britto (PMDB-PPS) foi assegurado o direito das crianças de ensino primário estudarem no próprio acampamento. O estado colocava professores da rede pública e as aulas eram dadas em salas organizadas no acampamento. E quando o acampamento mudasse de local ou as famílias fossem assentadas, a escola ia junto, assegurando a continuidade do ensino àquelas crianças. Essa experiência exitosa recebeu prêmios e foi adotada por outros estados, como o do Paraná.


Após a eleição do governo tucano de Yeda Crusius, se formou uma conjuntura política de ofensiva da direita na imprensa, no Ministério Publico Estadual e na Brigada Militar. Eufóricos com a vitória eleitoral, passaram a criminalizar, perseguir e reprimir os movimentos sociais, seja o dos professores, metalúrgicos, desempregados ou o MST. Nesse contexto, a atual governadora e o Ministério Público atuaram para suspender as aulas nos acampamentos e levar as crianças para os colégios da cidade. Ou seja, não hesitaram em prejudicar as crianças para atingir politicamente o MST.


Por outro lado, o governo Yeda Crusius já fechou outras 8.500 turmas em todos os municípios do estado, a maioria no meio rural, apenas para poupar recursos, apenas para assegurar o famigerado déficit zero As prefeituras dos municípios aonde existem acampamentos já disseram que é impossível levar as crianças para a cidade. São Gabriel, por exemplo, teria que gastar R$ 40 mil mensais. Enquanto atualmente o estado gasta R$ 16 mil para atender os oito acampamentos em todo estado.Felizmente, as escolas foram autorizadas pelo Conselho Estadual de Educação, que é o órgão que autoriza e fiscaliza o funcionamento das escolas e aprova seu currículo.


O que aconteceu em Pernambuco?

O conflito no Pernambuco é uma tragédia anunciada. As 100 famílias estão acampadas há oito anos. Duas áreas estão em disputa. Os fazendeiros usaram de todas as artimanhas judiciais para impedir a desapropriação de suas áreas não utilizadas, que servem apenas de especulação imobiliária. As famílias trabalham e plantam na área, tiram dela seu sustento. Sofreram mais de 20 despejos. Na semana passada, depois de mais despejo pela Polícia Militar, o fazendeiro contratou pistoleiros que foram no acampamento fazer provocações, armados. Perseguiram e espancaram um dos líderes do acampamento.


Nesse clima de tensão e ameaças permanentes às famílias acampadas, alguns acabaram reagindo e no conflito houve a morte de quatro pistoleiros. O MST repudia a violência. No Brasil há muitos outros acampamentos, em igual situação de tensão e conflito. Até quando vão esperar para realizar a Reforma Agrária?


O que aconteceu no Pontal?

Na região do Pontal do Paranapanema, no estado de São Paulo, há um passivo de conflito agrário pendente há quatro décadas. Existem por lá mais de 400 mil hectares de terras públicas estaduais, com sentenças judiciais reconhecendo que são públicas. Portanto, os fazendeiros ocupantes são grileiros. E precisam sair das terras, pelas quais receberiam a indenização pelas benfeitorias. Desde o governo Mario Covas, que o processo de discriminação e indenização dos fazendeiros-grileiros está parado. Com isso o problema só se agrava. Agora, na semana do carnaval, os quatro movimentos de sem terra que atuam na região realizaram ocupações de protesto em diversas fazendas.


A repercussão foi imediata. Por duas razões: primeiro porque os fazendeiros possuem muitas ligações políticas na capital. Um deles inclusive era sócio do Fernando Henrique na fazenda de Buritis. Outro tem vínculos com a rede Bandeirantes, e por aí vai.E o segundo motivo é que José Rainha, que não faz parte de nenhuma instância de decisão política do MST, anunciou que as ocupações do seu movimento eram em protesto ao governador José Serra. Pronto. O tema se transformou em disputa eleitoral. As repercussões do Pontal revelam que até outubro de 2010, viveremos essa novela, da imprensa e seus partidos transformaram as disputas de terra do Pontal em tema eleitoral.


Entidades do meio rural são acusadas de desviar recursos para ocupações. Isso procede?

O MST nunca usou nenhum centavo de dinheiro público para realizar ocupações de terra. Por uma questão de princípio, as próprias famílias que participam das ocupações dos latifúndios, devem assegurar os recursos necessários para a essa ação política. É aqui que reside a força do MST e é um elemento educativo para as famílias que fazem a luta pela reforma agrária.


Acontece que desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o Estado brasileiro, dilapidado pela onda neoliberal, deixou de cumprir suas funções relativas ao setor público agrícola. O Estado não garante mais educação no meio rural, alfabetização, assistência técnica, saúde. Então, foi no governo FHC que eles estimularam o surgimento de ONGs, entidades sem fins lucrativos, para substituir as funções do Estado. E passaram recursos para essas entidades.


Vale lembrar que a ONG Alfabetização Solidária, da dona Ruth Cardoso, recebeu mais de R$ 330 milhões de dinheiro público para a alfabetização de adultos.


Surgiram então em áreas de assentamento diversas entidades - algumas ligadas aos assentados, outras não - para suprir as funções do Estado, realizando atividades de assistência técnica, de atendimento de saúde, de alfabetização. E recebem recursos do Estado para isso.

Estranhamos que a imprensa cite apenas as entidades que apóiam a reforma agrária e são ligadas aos assentados, e omitem os milhões de reais repassados para ONGs ligadas ao PSDB, à Força sindical, aos ruralistas. Somente o SENAR recebe milhões de reais. Todos os anos. Sendo que há processos no TCU de desvio de federações patronais em proveito pessoal de seus dirigentes.


A que se deve a reação do ministro Gilmar Mendes?

O Ministro Gilmar Mendes foi transformado no mais novo líder da direita brasileira, desde sua posse como presidente do Supremo Tribunal Federal. E ele está se comportando assim, honrando seu novo papel. É ágil para defender o patrimônio, mas lento para defender vidas. Ataca os povos indígenas, os quilombolas, os direitos dos trabalhadores, os operários e defende os militares da ditadura militar. Enfim, agora a direita brasileira tem seu Berlusconi tupiniquin. E ele opina sobre tudo e sobre todos. Aliás, ele está devendo para a opinião pública brasileira, uma explicação sobre a rapidez como soltou o banqueiro corrupto Daniel Dantas, que financia muitas campanhas eleitorais e alicia grande parte da mídia.


Mais grave, a revista Carta Capital denunciou que o Instituto Brasiliense de Direito Público, vinculado ao Mendes, recebeu 2,4 milhões de recursos públicos, inclusive do STF, do Tribunal Superior Eleitoral e até do Ministério da Defesa, dirigido por seu amigo Nelson Jobim.Como líder da direita, Mendes procura defender os interesses da burguesia brasileira e fazer intenso ataque ideológico à esquerda e aos movimentos sociais, para pavimentar uma retomada eleitoral da direita em 2010. Serra não precisa se preocupar, já tem um cabo eleitoral poderoso no STF.

terça-feira, 3 de março de 2009

Mulheres indígenas do sul debatem Lei Maria da Penha



informações do NEPE (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Etnicidade)
Mulheres indígenas do sul debatem Lei Maria da Penha
Mulheres indígenas Kaingang, Guarani e Xokleng estiveram reunidas em Passo Fundo/RS, de 17 a 19 de fevereiro, em oficina promovida pela Funai para debate sobre Direitos Indígenas, em especial sobre a Lei Maria da Penha. Questionadas sobre a aplicabilidade da Lei, que versa sobre violência doméstica, as participantes sugeriram a realização de um trabalho de valorização das mulheres nas aldeias, além de capacitação de professores, agentes de saúde e lideranças indígenas para trabalhar com prevenção do consumo de álcool e outras drogas entre os jovens da comunidade.

O evento faz parte de uma série de 13 oficinas programadas pela Coordenação de Mulheres Indígenas da Funai com apoio da Coordenação de Índios Recém Contatados, Coordenação Geral de Defesa dos Direitos Indígenas, Procuradoria Jurídica, Administração Executiva Regional de Passo Fundo e Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC, com o objetivo de fazer avançar o debate sobre a Lei Maria da Penha no contexto indígena.

Para Brasília Ribeiro de Freitas Kaingang, 60 anos, presidente da Associação de Produtores Orgânicos Sustentáveis da Terra Indígena Guarita no município de Tenente Portela (RS), o encontro é importante não só para as famílias, mas para o povo indígena em geral para melhorar a qualidade de vida na comunidade. “Com informação sobre a Lei os homens vão pensar duas vezes antes de um ato de agressão”, destaca Ribeiro. No próximo mês de abril, Brasília vai assumir o cargo de vereadora e já tem um programa de trabalho para a Associação de Mulheres Indígenas e de Produtores de sua aldeia, onde consta a divulgação da Lei Maria da Penha, pois já teve um caso na família: o seu próprio irmão mudou o comportamento com a esposa após tomar conhecimento de que existe uma lei que protege as mulheres.

Dina Patté Xokleng 52 anos, representante das mulheres da Terra Indígena Ibirama (SC), já foi cacique durante três anos e acha que a Lei Maria da Penha tem que ser conhecida pela comunidade, porém deve ser executada conforme a cultura de cada povo. “Nós temos poucos casos de violência contra as mulheres e quando ocorre é por embriaguês. Na minha comunidade a liderança ainda é respeitada e consegue solucionar os problemas internos”. No entanto, Diná vê os costumes mudando com os jovens que não seguem mais a tradição: “é para eles que no futuro a Lei Maria da Penha deve ser aplicada”, revela com apreensão.

Outra liderança que participou da discussão foi Jovina Rha-gá Donata de Oliveira, 40 anos, kaingáng da aldeia urbana Kakaná Porá em Curitiba, ela preside a associação de mulheres de sua comunidade e concorda com a opinião de Diná. Porém, acha que haverá casos onde a Lei Maria da Penha vai ser útil para frear alguém que desrespeite a liderança, o que é raro, relata com sua experiência de ex-vice cacique e espera que cada vez mais as mulheres indígenas tenham maior participação nas discussões sobre direitos indígenas.

O evento não teve apenas a participação de lideranças experientes, mas também de jovens indígenas que estão despontando como lideranças em suas comunidades nos grupos de jovens como é o caso de Márcia da Silva Guarani da Aldeia Mato Preto, no município de Eribango (RS). Na sua comunidade os problemas ainda são resolvidos pelo cacique, que é respeitado. “Não temos casos de violência, mas é importante jovens como eu participar de encontros como esse, e saber das leis de fora da comunidade, como vivem os jovens de outras etnias, terem mais conhecimento para repassar para os que ficaram na aldeia”, conta a jovem.

Na programação constou além da discussão sobre a Lei Maria da Penha, a evolução do movimento de mulheres abordada pela antropóloga Ângela Sacchi e Direitos Indígenas pelo coordenador da CDDGI Paulo Oliveira Pankararu e do colaborador Dimas Pontes Vieira, advogado Fulniô. A Coordenadora de Mulheres Léia do Vale Wapichana, fez questão de destacar durante a oficina, que o debate sobre a Lei Maria da Penha tem o intuito de promover a discussão com as mulheres indígenas e somente elas devem opinar como a Lei deve ser aplicada ou não em suas comunidades.

A oficina contou ainda com o apoio da ARPINSUL – Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, que foi responsável pela articulação com as lideranças para a indicação das representantes das diversas Terras Indígenas da Região. Onze oficinas estão programadas para o decorrer de 2009, a próxima será em Fortaleza no período de 4 a 6 de março.
 
DATA DAS PRÓXIMAS OFICINAS SOBRE A LEI MARIA DA PENHA - 2009
 04 a 06 de março - FORTALEZA -CE
18 a 28 de março - GOVERNADOR VALADARES-MG
07 a 09 de abril - DOURADOS-MS
22 a 24 de abril - CUIABÁ-MT
06 a 08 de maio - BELÉM-PA
27 a 29 de maio - MARABÁ-PA
03 a 05 de junho - PORTO VELHO-RO
17 a 19 de junho - XINGU
01 a 03 de julho - SALVADOR-BA
15 a 17 de julho - COLIDER-MT
12 a 14 de agosto - PALMAS-TO



para mais informações sobre a Lei Maria da Penha, consulte.: 




quarta-feira, 25 de junho de 2008

3 ANOS DO ASSASSINATO DE DENA E JORGE - INDÍGENAS TRUKÁ - E NENHUMA JUSTIÇA FEITA

25/06/2008 - 19:25 - Informe nº. 822: Impunidade: execução de indígenas Truká segue impune
informe do CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO - NORDESTE

Informe nº. 822

- Impunidade: execução de indígenas Truká segue impune

- Desassistência à saúde causa a morte de nove indígenas do povo Pirahã

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Impunidade: execução de indígenas Truká segue impune

Na próxima segunda-feira (30) faz três anos que Adenilson dos Santos (Dena) e seu filho Jorge dos Santos, indígenas do povo Truká, foram executados por policiais militares dentro da terra indígena Truká, em Cabrobó, Pernambuco. Apesar da evidência de que os assassinatos ocorreram em decorrência de conflitos relacionados à posse de terra, o processo está tramitando na justiça comum e os autores dos disparos seguem impunes.

Dena e Jorge participavam de um evento festivo da aldeia quando quatro policiais militares à paisana invadiram a festa atirando. Dena, que se encontrava no meio do salão foi baleado. Quando Jorge viu o pai ferido, foi tentar defendê-lo e acabou sendo morto na hora. Os indígenas que estavam no local ainda tentaram levar Dena ao hospital, “mas os policiais não deixaram e estouraram os pneus do carro que ia socorrer Dena”, relata Pretinha Truká.

Pretinha conta que após esses três anos aconteceram apenas duas audiências. A primeira com os quatro acusados e, no mês passado, foram chamadas a depor seis testemunhas do crime. Segundo ela, a comunidade não quer que o julgamento aconteça em Cabrobó, nem que seja conduzido pela justiça comum. Os indígenas estão se articulando com entidades de direitos humanos para que o processo seja encaminhado à justiça federal.

Os atos de repressão, assassinatos e criminalização de lideranças indígenas têm suas origens no processo de retomada das terras tradicionais pelos Truká. O povo expulsou de suas terras fazendeiros e plantadores de maconha, tornando-se um dos maiores produtores de arroz do Brasil.

Como acontece todos os anos, a comunidade Truká fará no dia em que marca a data do assassinato de Dena e Jorge – 30 de junho - um ato público em memória dos dois e em protesto pela impunidade dos assassinos.

***

Desassistência à saúde causa a morte de nove indígenas do povo Pirahã

Oito crianças e um adulto do povo Pirahã (Amazonas) morreram, de janeiro a junho deste ano, vitimados provavelmente pela malária. A falta de assistência à saúde das comunidades localizadas ao longo dos rios Maici e Ipixuna, no município de Humaitá (distante 450 Km de Manaus), tem sido apontada pelos indígenas como causa dos óbitos. A Prefeitura Municipal de Manicoré é responsável pelo atendimento àquelas aldeias.

“Ninguém sabe se a equipe não vai para a área por falta de recursos ou se esses recursos são desviados”, indaga o indígena Júnior Tenharim. “A equipe não vai na área há muito tempo e, quando eles vão, fazem trabalho relâmpago: entram em um dia e saem no outro”, reclama ele acrescentando que “sem a presença de profissionais de saúde, outras mortes poderão acontecer”.

Os conselheiros do Conselho Distrital de Saúde Indígena encaminharam documento à coordenação regional da Funasa relatando que foram diagnosticados casos de malária, tuberculose, hanseníase, diarréias, desnutrição e outras doenças. Segundo eles, 14 indígenas morreram naquela região, somando os nove Pirahã e cinco de outros povos indígenas da localidade.

O coordenador regional da Funasa, Narciso Cardoso Barbosa, afirmou que tem conhecimento de que a região é endêmica de malária. “A Funasa está buscando estratégias para atuar de forma cooperada com a Superintendência Estadual de Saúde, a Fundação de Vigilância em Saúde e a prefeitura de Manicoré. A Funasa sozinha encontra dificuldades para atuar”, disse ele, acrescentando que o atendimento é precário devido à “dificuldade de acesso às aldeias”.

Os Pirahã que vivem nesta região são indígenas de pouco contato, que somam 230 pessoas. As mortes ao longo deste ano afetaram 3,9% da população.

(Com informações de J. Rosha - Cimi Norte I)

Brasília, 26 de junho de 2008.

Cimi - Conselho Indigenista Missionário

terça-feira, 3 de junho de 2008

Vídeo que registra a violência na T.I. Makuxi Serra do Sol

http://www.youtube.com/watch?v=6wzpe1ML0ts

quinta-feira, 29 de maio de 2008

CARTA DA VIII ASSEMBLÉIA DO POVO XUKURÚ DO ORORUBÁ - MAIO 2008


Documento retirado do sítio eletrônico do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
www.cimi.org.br







fotos:antropozoide
Carta da VIII assembléia do Povo Xukuru do Ororubá


Reunidos, entre os dias 17 a 20 de maio de 2008, na VIII Assembléia do nosso povo na aldeia Pedra D"água, espaço sagrado e lugar da primeira retomada do nosso território, guiados pelos Encantos de Luz, discutimos o tema: dez anos sem o cacique Xicão, e a perseguição continua.

Estiveram presentes todas as aldeias do nosso povo, nossos parentes de Pernambuco: Truká, Kambiwá, Kapinawá, Pankará, Pankararu, Atikum e Pipipã; nossos parentes Potiguara da Paraíba e os do Maranhão: Krikati, Gavião, Guajajara, Krepum Ka Tejé, Kreje, Ka`apor Awá-Guajá, Canela ApaneiKrá. Participaram também, entidades aliadas: estudantes e professores da UFPE, UFPB e UPE, grupo de pesquisa - O Direito achado na rua, da Faculdade de Direito da Unb; Fiocruz, Canal 03, Cabra-quente, Estação da Cultura, Telefone Colorido, as dioceses de Pesqueira e Floresta, APOINME, Centro de Cultura Luiz Freire e Conselho Indigenista Missionário, que vieram nos prestar solidariedade e contribuir com a discussão.

Passados dez anos do assassinato do nosso Mandarú, continuamos sentindo sua presença viva no meio de nós, incentivando nossas lutas para que continuemos a construir o sonho de uma terra livre. Lutas que têm se transformado em grandes conquistas:



- A saúde e a educação em nossas mãos;

- Já temos 95% das nossas terras;

- Produzimos alimentos orgânicos e cuidamos da natureza sagrada, das águas, das matas oferecendo assim um ambiente e uma alimentação saudável para o nosso povo e para a população de Pesqueira;

- Nossa organização social ganhou o prêmio de gestão patrimonial e a mãe do Povo Xukuru, a guerreira Zenilda, foi indicada ao prêmio Nobel da Paz e ganhou a medalha Herbet de Souza da Assembléia Legislativa de Pernambuco;

- Nossos jovens têm se organizado, e conscientes da nossa luta, têm utilizado o teatro e o áudio visual para contar nossa história e fortalecer nossa identidade.

Mesmos com todas essas conquistas, há ainda muitas coisas que atrapalham o nosso projeto de futuro e a paz do nosso povo: os assassinatos e a criminalização de nossas lideranças patrocinadas por aqueles que têm o interesse em nosso território e também por aqueles que têm o dever de nos defender, incentivadas pelos grandes meios de comunicação de Pernambuco.


Os nossos parentes Truká, Pankará e do Maranhão também vêm sofrendo perseguição. Caso gravíssimo é o da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cujos povos além de serem chamados de terroristas, ainda correm o risco de terem anulada a homologação de suas terras. Entendemos que essa situação ameaça todos os nossos povos.





A política indigenista do nosso país também ameaça o nosso projeto de futuro, pois nossa Constituição mesmo depois de 20 anos não é de fato cumprida. Por isso entendemos, que é de fundamental que seja criados e aprovados, imediatamente o CNPI – Conselho Nacional de Política Indigenista e o Estatuto dos Povos Indígenas.

Pela paz do nosso povo, exigimos que Rinaldo e Edmilson sejam soltos, que nosso Cacique e lideranças deixem de ser perseguidos e criminalizados.

Viva o povo Xukuru! Viva nossas lideranças! Viva os povos indígenas do Brasil! E diga ao povo que avance.




TI Xukuru, 20 de maio de 2008.

domingo, 25 de maio de 2008

DENÚNCIA - e ainda dizem que os indígenas ameaçam a SOBERANIA do Brasil..


imagens enviadas por enzoelaine@osite.com.br ao NEPE



enviado por gugasampaio@terra.com.br ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Etnicidade (NEPE) - lista virtual de discussões



SERRA do SOL, como tudo começou

Antropóloga nega irregularidades em laudo e diz que despreparo das
Forças Armadas é que ameaça soberania

*Marcelo Copelli *

A posse das terras indígenas em Roraima é motivo de disputas há quase um
século. Na década de 90, a Fundação Nacional do Índio (Funai) defendeu a
demarcação de uma área contínua, diante da justificativa de que a criação de
ilhas dificultaria o acesso dos índios a rios e áreas de caça, além das
trocas entre as aldeias. Em 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
assinou decreto que homologou a reserva Raposa Serra do Sol.

Em seguida, o governo de Roraima entrou com ação no Supremo Tribunal Federal
(STF) solicitando a revisão do referido decreto sob a alegação de que o
laudo antropológico que serviu de base para a demarcação das terras havia
sido fraudado.

A antropóloga Maria Guiomar de Melo, que integrou o grupo de trabalho
responsável pelo laudo, e sobre a qual recaem acusações de ter sido a única
a assinar o documento em nome dos demais membros, nega as acusações de
irregularidades.

"Não houve qualquer fraude no processo. Pode haver algum equívoco na
descrição dos agentes públicos ou dos participantes, similar à questão
do motorista. Afinal estavam sob a minha coordenação diversas pessoas e
dependia da boa vontade de vários entes públicos", afirma. Guiomar
questiona os parâmetros utilizados no relatório que aponta fraude na
demarcação das terras da reserva." (...) não realizou a perícia técnica
em sua área de conhecimento, e inicia um processo difamação pública
exclusiva de uma pessoa, sem saber de sua história acadêmica ou de sua
probidade no serviço público", defende-se.

*TRIBUNA DA IMPRENSA* - Quais personagens temos, atualmente, integrando o
cenário da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima?

*MARIA GUIOMAR DE MELO* - Há vários atores nessa arena política e cada grupo
atua de forma a preservar seus interesses. Uns são legítimos, outros não, de
acordo com o estabelecido no aparato legal do País. Todos são brasileiros.
Inclusive as diferenças entre eles são garantidas pelo fundamento da
República Federativa do Brasil. Nós temos os índios, constituídos por várias
etnias e falantes de diversas línguas, algumas inteligíveis entre si e
outras não.

Desde a chegada dos portugueses à região hoje compreendida pelo Estado de
Roraima, esses índios já ocupavam aquele espaço geográfico. Os mesmos estão
atualmente organizados em associações e conselhos, e, entre as entidades
indígenas, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) é o mais expressivo. Temos
os não-índios, representados por vários grupos diversificados, mas
unificados por uma língua nacional, o português. Existe ainda o Estado, que
se apresenta em várias nuanças, expressas pelo Poder Executivo, Legislativo
e Judiciário.

A administração federal atua de forma diversificada e às vezes
contraditória, por falta de um projeto nacional, que deveria ser engendrado
pelo governo. Há ações pró ou contrária aos interesses indígenas dependendo
do órgão ou entidade, ou do momento político de quem assume em determinada
ocasião.
E quais os agentes do interesse privado atuantes sobre a questão?

O interesse privado apresenta dois grupos distintos. De um lado, aqueles
que, conforme o momento político, apresentam seus representantes que atuam
em defesa aguerrida de seus valores econômicos, e, de outro lado, estão
aqueles que comungam à defesa dos direitos indígenas. Os que possuem
interesses econômicos mantêm suas relações com esse espaço geográfico em
diversos momentos históricos. Foram várias as frentes de ocupação de uma
sociedade divida em classes sociais, na qual cada um exerce o seu papel para
garantir sua sobrevivência ou ampliar seu patrimônio.

Há, ainda, as sociedades sem fins-lucrativos, que são representadas por
grupos religiosos (Diocese de Roraima e missionários evangélicos de diversas
Igrejas) e pequenos grupos de ONGs sem expressão social. Desse último grupo,
os trabalhos de maior repercussão são realizados pelo Instituto Olhar
Etnográfico, a partir do apoio à extensão agroflorestal e agroecologia,
financiado pelo CNPq e pela "The Nature Conservancy" (TNC), que realiza o
etnomapeamento em parceria com o INPA/CNPq, o CIR e a APIR. A disputa por
esse espaço deve-se ao jogo dos interesses e independentemente disso, o
Estado está presente por todos os lados e mantém a soberania nacional.
Como fica a questão das fronteiras brasileiras, a manutenção da soberania
nacional e o estabelecimento dos grupos?

A fronteira é garantida pelos pelotões do Exército em conjunto com os
índios, que representam a "Muralha dos Sertões", segundo Joaquim Nabuco.
Todos os órgãos e entidades também asseguram nossa soberania ao lado dos
índios, senhores da terra, os quais têm apenas garantido o usufruto da terra
e de seus recursos naturais, pois possuem somente a posse permanente,
cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos
nelas existentes.

A área da União e o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os
potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais só podem
ser efetivadas com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades
afetadas, ficando-lhes assegurada à participação nos resultados da lavra, na
forma da lei.
Recentemente, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno
Ribeiro Pereira, manifestou temor de que a permanência apenas de índios na
área possa representar um risco à integridade do território nacional. Qual
sua análise sobre tal posicionamento?

O general Heleno, pela sua formação e pela sua capacidade demonstrada ao se
classificar entre os primeiros na sua turma em diversos certames, deveria se
tornar um marechal, caso seguisse os princípios de Rondon, de Jarbas
Passarinho ou do coronel Zattar ao defender os índios do Brasil; os dois
últimos deveriam receber a Medalha do Mérito Indigenista por suas atividades
em prol dos Yanomami. Entretanto, o general segue contra a história do
Exército brasileiro no campo indigenista, pois afronta o seguimento mais
frágil de nossa sociedade no poder econômico.

Ele poderia pactuar junto ao presidente da República a indicação de um
militar de carreira para o Ministério da Defesa, agente político fundamental
para tratar da defesa do Brasil. A integridade do Território Nacional corre
perigo por dois fatores, há de se ter um agente qualificado no Ministério da
Defesa, e somente as Força Armadas formam tais quadros, há rara exceção
realizada pelo Ministério das Relações Exteriores.

A partir do governo de FHC passamos a ter um civil na pasta, e apenas em um
momento houve um agente qualificado. O presidente Lula poderia rever essa
situação ao indicar o comandante da Aeronáutica para o ministério. O outro
fator prende-se ao desmantelamento das Forças Armadas a partir dos anos 80.
Não há por parte dos governantes uma política de defesa nacional, de ampliar
o contingente devido às dimensões continentais do Brasil e do mar de 200
milhas, que representa a Amazônia Azul e, talvez, nossa maior província
mineral.

Faltam armamentos e soldos de acordo com as atribuições que são delegadas
constitucionalmente às Forças Armadas. Hoje, por exemplo, um militar no
ápice da carreira, um general cinco estrelas, deveria ganhar o soldo
equivalente à remuneração de magistrado ou auditor do TCU, haveria uma
adequação até chegar ao soldo-base, que representa um salário-mínimo. No
entanto, deve-se para atingir essa cifra discutir a reforma, atualmente
precoce, dada pelo tempo de serviço e idade, bem como as pensões das filhas
de militares, que na época da Guerra do Paraguai era louvável e hoje, isso
sim, uma afronta à estabilidade das aposentadorias públicas e
conseqüentemente do setor privado.
A estruturação militar então seria a garantia?

A partir das Forças Armadas estruturadas haverá tranqüilidade na defesa do
País, pois as regiões mais distantes poderão ser atingidas, com agilidade,
ou então montados mais pelotões nas fronteiras. Haveria uma maior
fiscalização das organizações atuantes nos lugares estratégicos para a
defesa da Nação ou então a supervisão daqueles que garantirem a presença do
Estado. O perigo está mais nos agentes dessas entidades, sejam elas públicas
ou da sociedade civil. A maioria atua visando o bem-estar dos índios ou
daquelas comunidades nos lugares inóspitos, contudo, uma minoria que denigre
o trabalho social poderá ser investigada por parte das Forças, onde não há
agentes de segurança pública.
A senhora fez parte do grupo técnico interinstitucional criado pela Fundação
Nacional do Índio (Funai) com mais 26 profissionais, entre técnicos e
índios, cuja finalidade era identificar e realizar o levantamento fundiário
da Raposa Serra do Sol. Como se deu o trabalho?

A partir da nova Carta Constitucional houve uma adequação às atividades dos
entes públicos. A Funai seguiu essa conduta em vários procedimentos
administrativos. Na área de regularização fundiária ocorreu após a
publicação do Decreto nº 22-91, assinado pelo ministro da Justiça, o senhor
Jarbas Passarinho. Foi criada, então, a Comissão Especial de Análise, que
tinha a finalidade de realizar o aproveitamento e a revisão dos trabalhos de
identificação de terras indígenas com vistas à demarcação.

Meu trabalho realizado entre 1984 a 1985 foi aprovado, e estavam pendentes a
parte fundiária e a definição dos limites, pois havia identificado uma área
de 1.577.850,00 ha por terra, e após reunião geral com as lideranças
indígenas, eles reivindicavam à época cerca de 2.000.000 ha. Foi com base
nessa aprovação que se iniciou a negociação para constituição do Grupo de
Trabalho.

Foi realizado contato de acordo com o aparato legal com o governo de
Roraima, as lideranças indígenas e a academia. Nessa perspectiva cada membro
daria sua contribuição para aprimorar os trabalhos técnicos. Rezava o Art.
4º que, outros órgãos públicos, membros da comunidade científica ou
especialistas sobre o grupo indígena envolvido, poderiam ser convidados, por
solicitação do grupo técnico, a participar dos trabalhos. Após o convite a
órgãos e entidades da sociedade civil, foi elaborada a Portaria nº 1141/92,
assinada pelo presidente da Funai.
E quem foram os escolhidos?

Os escolhidos para compor o grupo foram em princípio aqueles que poderiam
contribuir no estudo. Entretanto, a responsabilidade do relatório sobre a
proposta de demarcação da área Indígena Raposa Serra do Sol foi delegado por
instrumento legal à antropóloga-coordenadora, que em toda as identificações
realizadas pela Funai é o único técnico com a atribuição de assinar o
documento final. Ao assumir esse compromisso, responde em todas as esferas
do Poder Público por ele junto à instituição.

Esse relatório é um dos mais complexos realizados pela Funai. Contou com a
participação de diversos envolvidos na regularização fundiária. Além disso,
após a compilação de todas as peças técnicas, esse material foi analisado
pelo antropólogo Artur Nobre Mendes, que posteriormente tornou-se presidente
da Funai, e que aprovou os procedimentos adotados e acompanhou todos as
adequações desses trabalhos à legislação subseqüente.
Em virtude de uma ação popular contra a demarcação impetrada na Justiça
Federal de Roraima, uma comissão de peritos organizou um relatório que
contesta todo o processo demarcatório da terra indígena. O mesmo culminou na
Ação Civil Pública que tramita até hoje no Supremo Tribunal Federal (STF),
onde existe a suposição de que o grupo técnico nunca existiu, e que o mesmo
se resumiria apenas em uma pessoa, a senhora, a única que assinou o
relatório. Como a antropóloga analisa tais acusações?

O antropólogo é um técnico que exige formação universitária para desenvolver
suas atividades. Possui certas especificidades de suas ações que podem ser
analisadas por um perito, que possua a mesma competência técnica. O STF
poderá solicitar que analista pericial em Antropologia do Ministério Público
Federal (MPF), profissionais indicados pela Associação Brasileira de
Antropologia (ABA), ou ainda professores de Antropologia da área acadêmica
julguem meu conhecimento nesse relatório.

Portanto, outra área profissional não pode realizar a perícia deste
relatório. Há vários vícios nesse laudo pericial, principalmente de cunho
ideológico quando em vez de julgar o mérito dos Atos Administrativos ou
conhecimento técnico, passaram a determinar os contornos que deveria ter a
terra indígena, inclusive propondo separar os católicos dos evangélicos.

Essa comissão era composta pelo antropólogo Erwin Franklin, o único que
poderia avaliar o meu relatório, pelo economista Hamilton Gondim, pelo
geógrafo Jaime de Agostinho, pelo agrônomo Carlos Schaeffer, habilitado para
realizar a perícia técnica no laudo de vistoria, laudo de avaliação e
levantamento sócioeconomico das benfeitorias de boa-fé, e pelo cientista
político Cleber Batalha Franklin.

Entretanto, Erwin Franklin não foi convocado para os trabalhos e também não
assinou a perícia técnica. Esse laudo já foi questionado por meio do parecer
dos assistentes técnicos do MPF, realizada por Marco Paulo Frões Screttino,
analista pericial em Antropologia, e Desider Kremling Gomes, historiador e
sociólogo, consultor externo. Talvez o que tenha colaborado para a emissão
desse parecer do MPF tenha sido a atitude dessa equipe, similar a do
engenheiro agrônomo, que em vez de analisar o laudo nos limites de seu
conhecimento técnico, extrapola ao analisar a questão antropológica e sem
conhecimento da legislação de regularização fundiária das terras indígenas.

Logo, ele não realizou a perícia técnica em sua área de conhecimento, e
inicia um processo difamação pública exclusiva de uma pessoa, sem saber de
sua história acadêmica ou de sua probidade no serviço público.
O relatório traz ainda depoimentos de membros da comissão que sequer sabiam
que ela existia e de pessoas que foram nomeadas para atuar em determinado
cargo, mas que não possuíam qualificação. De fato não existia uma coesão do
grupo ou houve a nomeação de pessoas não qualificadas?

O grupo de trabalho foi organizado para subsidiar os dados já existentes no
processo. Segundo o artigo 1º do decreto vigente à época, o grupo técnico
seria designado pelo órgão federal de assistência ao índio e composto por
técnicos especializados desse órgão que, sob a coordenação de antropólogo,
realizaria estudos etno-históricos, sociológicos, cartográficos e fundiários
necessários.

Para ajudar nesses trabalhos foi indicado o antropólogo e professor Paulo
Santilli, o maior conhecedor no Brasil e talvez no mundo da etnia Makuxi,
que poderia solicitar a colaboração ou não do economista José Juliano
Carvalho. A seu cargo foi estabelecida a tarefa de formular o parecer
antropológico sobre a ocupação indígena dessa região, abordando os aspectos
sociais, econômicos e políticos.

Esse parecer foi enviado à área fundiária da Funai dentro do prazo legal, e
foi com base principalmente no seu trabalho que o antropólogo Artur Nobre
Mendes emitiu o Parecer nº 36-DID-DAF-93, que foi aprovado pelo despacho
009, de 18 de maio de 1993 do presidente da Funai, Sydney Ferreira, para
delimitação da área indígena Raposa Serra do Sol.

O dispositivo do decreto no seu Art. 2º determinava que o levantamento
fundiário devesse ser realizado conjuntamente com o órgão federal ou
estadual específico. O governo estadual já havia indicado como representante
o secretário estadual de Meio Ambiente, Interior e Justiça, Robério Bezerra
de Araújo, que foi médico da Funai por longos anos, até iniciar sua carreira
política. Ele participou da reunião no dia 22 de agosto de 1992, na sede da
administração da Funai em Boa Vista, na qual ficou definido que as
lideranças indígenas identificariam os limites reivindicados para área
indígena, que seria realizado o levantamento fundiário com técnicos
agrícolas da Funai, do Incra e do órgão fundiário do estado, e as
instituições que possuíam interesse na área, deveriam encaminhar até o dia 6
de outubro de 1992, suas pretensões.

Após a reunião ele recebeu o extrato dessas resoluções em 26 de agosto de
1992. Foi, com base nessa comunicação, que a Secretaria indicou à Funai os
representantes para realizar o levantamento fundiário. Esses servidores
deveriam ter a formação em técnico agrícola, agropecuária ou engenheiro
agrimensor, por isso Maildes Fabrício Lemos foi listado na terceira página
do relatório entre os técnicos agrícolas.

Contudo na quinta página, na qual apresento a divisão do trabalho fundiário,
ele foi assim classificado, Região do Baixo Cotingo (Antônio da Paula
Nogueira Neto - Funai, Gerônio Gomes Teixeira - SEIMAJUS, Maildes Fabrício
Lemos - motorista). A forma como a Secretaria encaminhou à Funai, não havia
condições de determinar se ele era técnico ou motorista, somente na divisão
do trabalho assim foi especificada a sua função naquele subgrupo, mas ele
poderia ter uma qualificação além da determinada pelo grupo, pois em Roraima
muitos assumiam diversas atribuições pelos menos durante os quatro anos que
vivi, no então, território.

Ele assinou algum laudo de vistoria?

Ele não assinou nenhum laudo de vistoria como técnico agrícola e não havia
qualquer razão para que viesse assinar o relatório da
antropóloga-coordenadora. Nessa lógica, eu também não assinei qualquer laudo
do levantamento fundiário, pois não tenho habilitação técnica para emitir
qualquer parecer relativo a essa peça técnica. Esclareço, porém que todas as
contribuições que chegaram ao grupo de trabalho foram acatadas e foram dados
créditos no relatório. Assumo total responsabilidade administrativa,
conseqüentemente públicas, por isso. No entanto, após o
antropólogo-parecerista haver assumido o trabalho do grupo e o presidente
ter aprovado a demarcação, todas as atividades passaram a ser de
responsabilidade institucional.

Existe a acusação no STF de que o processo de demarcação foi baseado em uma
reprodução simplificada de um documento anterior produzido pela senhora,
além de divergências em mais de 10 mil páginas consultadas sobre o assunto
em poder dos órgãos federais envolvidos. A senhora admite que possam ter
ocorrido erros? Houve fraude no processo?

Não houve qualquer fraude no processo. Pode haver algum equívoco na
descrição dos agentes públicos ou dos participantes, similar à questão do
motorista. Afinal estavam sob a minha coordenação diversas pessoas e
dependia da boa vontade de vários entes públicos. Em principio devo acatar
essa informações como verídicas, pois são fornecidas pela administração
pública, mas não posso atribuir um cargo a quem não sei sua qualificação no
órgão ou entidade de origem, devo apenas acatá-la. No caso do motorista, a
SEIMAJUS que deveria qualificá-lo à Funai, e não o contrário, como querem
alguns agora.
De forma geral, como a senhora encara tais acusações que põem em xeque a sua
conduta profissional?

Grupos de interesses não conseguem ver as mudanças sociais no Brasil. Esses
grupos não aceitam a nossa Constituição, o direito do índio, das mulheres,
das crianças. Querem que voltem à situação anterior, falam até em colônia
indígena, que o Art. 12 do decreto de 1991 eliminou, por não haver harmonia
em tais glebas. Apesar das mazelas, estamos construindo o Estado Democrático
de Direito, por isso ficou a cargo do Poder Judiciário julgar os atos
praticados pela administração pública.

O STF por não errar, apenas surpreender, por sua atribuição cabe à decisão
de analisar se foi um ato administrativo perfeito ou passivo de ser nulo. Em
caso de nulidade, o Supremo remeterá o processo ao Executivo, a quem deve,
conforme reza o Art. 231 da Constituição Federal, o Poder de determinar os
limites de uma terra indígena. No meu caso pessoal devo declarar que agora
que transformei em um personagem da mídia, vou continuar a minha vida.

Uns acham que sou uma heroína ou o inverso. Vou continuar trabalhando para
os índios e cuidar de minha família. Isso que houve na mídia acontece em
qualquer oficio, sou consciente de que ao colaborar com a regularização
fundiária no Brasil representei apenas um grão de areia, uma gota d'água,
que traduzindo em fatos significa que ajudei em ações fundamentais para
preservar a diversidade cultural do meu País e garantir o meio ambiente do
Planeta.
Caso todo o quadro seja favorável às populações indígenas, ao seu ver, quais
as medidas que deverão ser tomadas pelo governo brasileiro para evitar
conseqüências que atinjam não só as populações indígenas, mas também a
soberania nacional?

Há necessidade de maior apoio do Estado num projeto nacional para a
preservação da vida na floresta e no lavrado. O Estado deveria unificar suas
ações. Por exemplo, as Forças Armadas presentes junto às outras entidades no
apoio logístico, devido à sua expertise no assunto, paralelamente estaria
realizando a fiscalização das fronteiras do País.

Poderia junto à Funai, Funasa, Ibama, Polícia Federal, e outros entes
públicos realizar, no mínimo, as atividades de transporte. O Estado também
deve estar presente principalmente por meio da Funai nos pontos que os
índios precisam de maior suporte. Nesse projeto, deveria continuar as
parcerias com as organizações indígenas, pois seus representes que vivem no
dia-a-dia a vida da comunidade e com o apoio do Estado executarão melhor
suas ações.

Além disso, a administração federal deveria dar um suporte especial ao
Estado de Roraima, pois lá se preserva para o futuro, enquanto São Paulo e
outras metrópoles poluem e degradam o meio ambiente, seria o preço que o
desenvolvimento pagaria para garantir nosso futuro. Nessa lógica, o Estado
poderia aplicar intensamente o capital em regiões não-indígenas, o que
geraria mais renda e progresso para a região.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

APOIO EMERGENCIAL AOS MAXAKALI, MG

enviado por cassiocomunardo@yahoo.com.br
Às entidades parceiras e apoiadoras da Causa Indígena Maxakali

O ano de 2008 iniciou-se comum cenário de enormes dificuldades para o Povo Maxakali, da Aldeia Verde, município de Ladainha, Vale do Mucuri - MG.

Há exatamente 1 (um) ano estabelecido na reserva indígena da Aldeia Verde, o Povo Maxakali vem vivenciando problemas na nova área. Apesar de ser uma região de mata, a área não é suficiente em potencial para a garantia da qualidade de vida do povo.

A população, atualmente num total de 306 pessoas, não tem acesso à água de boa qualidade. Apesar de haver algumas nascentes na aldeia, em alguns lugares a água é de péssima qualidade, como a água parada de represas que compromete a saúde da população, e onde principalmente as crianças nadam e banham, correndo o risco de se contaminar.

Conforme relato dos próprios Maxakali, desde o início deste mês de janeiro, o povo vem adoecendo de tal forma que o mal já atingiu a toda a população. Há crianças que estão a vários dias sem se alimentar, com vômito, febre alta, sangramentos pelas narinas, dor de cabeça, dor abdominal e fraqueza generalizada. Esses mesmos sintomas atingem os idosos, adultos (estes com quadro de desmaios) e jovens.

Portanto, isso caracteriza um quadro de epidemia no Povo Maxakali da Aldeia Verde. O próprio povo afirma que nunca houve uma epidemia dessa proporção.

A gravidade maior, porém, é a ausência da FUNASA (Fundação Nacional da Saúde), órgão responsável pela saúde indígena, deixando os Maxakali em condição de abandono. Não há médico como também não há remédios.
É urgente que a FUNASA seja presente na Aldeia Verde, para analisar as condições do local, coletar e examinar a água e exercer demais procedimentos para detectar o foco da epidemia e erradicá-la urgentemente, além de, especialmente, dar a assistência devida ao povo. O risco de estar acontecendo uma epidemia de febre amarela na aldeia Verde é grande.


Um outro problema grave que o povo enfrenta é a falta de alimentos. As cestas básicas que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) fornece chegam à Aldeia Verde com muita irregularidade e em quantidade insuficiente para as mais de 70 famílias.
Ao serem indagados pela equipe de reportagem que esteve hoje, 23/01/08, na aldeia, sobre suas necessidades do momento, os Maxakali responderam:"Remédio e comida."

Portanto, clamamos às pessoas e entidades parceiras e apoiadoras dos Maxakali que ajudem a divulgar essa situação grave e a pressionar os órgãos da administração regional de Governador Valadares, a FUNAI e FUNASA, a cumprir o que lhe compete por lei.

A saber: contatos - FUNASA (33)3271.8231
FUNAI (33)3271.1694

ARMICOPA - Associação Regional Mucuri de Cooperação dos Pequenos Agricultores -
armicopa@uai.com.br
EQUIPE MAXAKALI - equipemaxakali@gmail.com